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Todos
os amantes do futebol (analistas ou não) sabem quão complexa uma partida de
futebol pode ser, com inúmeros eventos secundários (passes, desarmes,
finalizações, tiros de meta, defesas, carrinhos, escanteios, etc.) que são
executados tendo um único objetivo: marcar um gol no adversário. Para isso
ocorrer, as equipes se estruturam taticamente munidas de diversas estratégias,
dispondo seus atletas em posições de acordo com as características individuais
de cada um. Tudo isso, para marcar mais gols que seu adversário. Dentro desse
universo particular, os goleiros estão inseridos à fim de evitar que os gols
sejam realizados... uma tarefa ingrata, diga-se de passagem. Ou seja, existe um
universo ainda mais complexo por trás desta posição tão injustiçada do futebol.
Partindo do pressuposto de que
queremos refletir sobre o método de análise de desempenho dos goleiros, antes
de mais nada temos que esclarecer alguns pontos. Tais como:
- Como definir um bom goleiro ?
- Como definir um mau goleiro ?
- Como analisar o desempenho de um
goleiro ?
·
BOM GOLEIRO: Quando
dizemos que um goleiro é bom, afirmamos isso com base em quais critérios?
o Menor média de gols sofridos ?
o Maior percentual de jogos sem sofrer gols (clean-sheets)
?
o Maior quantidade de defesas ?
Com certeza, estes são os critérios genéricos mais
utilizados no meio futebolístico, porém se pararmos para pensar, estes
critérios são muito vagos e não nos dizem informações realmente relevantes para
avaliar o desempenho de um goleiro. Por exemplo: 
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Tudo
depende da perspectiva da análise que queremos elaborar. Talvez, se quisermos
apenas ter uma noção básica, estes números podem ser utilizados. Mas em todos
os casos, o segredo é não analisar números isolados. Perceba a diferença:
Isoladamente estes goleiros podem ter sido avaliados como
os melhores de seus respectivos campeonatos. Porém se além destas informações,
utilizássemos os 3 índices ? Vamos ver:
Este assunto é tão complexo e rico em detalhes, que
veremos este detalhamento mais pra frente. Por enquanto continuaremos nos
aspectos gerais. Um outro exemplo, de que números isolados “não querem dizer
nada” é quando falamos das famosas defesas
difíceis. Geralmente são defesas plasticamente bonitas, que exigem um alto
grau de técnica, tempo de reação e elasticidade dos goleiros, mas é uma questão
muito particular que depende dos critérios utilizados, é muito relativo: o que
é difícil para um pode não ser difícil para outro. Por exemplo:
- GOLEIRO
ESPALHAFATOSO: Temos um goleiro que todo jogo realiza saltos incríveis em
chutes em sua direção... a mídia e a grande maioria das pessoas que estiverem
assistindo o jogo, classificarão este tipo de defesa como “difícil”.
- GOLEIRO MAU
POSICIONADO: Se um goleiro acaba realizando movimentos extremamente difíceis
à todo momento e que exigem muito de suas técnicas de passadas laterais,
elasticidade e tempo de reação, muito provavelmente este goleiro está se
posicionando mau para as finalizações, e isso faz que ele “compense” esta falha
com a técnica e reflexos apurados.
Perceba que mais uma vez, derrubamos uma falácia de
avaliação de goleiro. A quantidade de defesas difíceis em si, não diz muita
coisa.
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Por
esses e outros motivos, é mais difícil do que parece classificar um bom
goleiro.
(Continua...)
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