No último artigo, traduzimos um
texto do pessoal do site 11Tegen11
onde a análise dos goleiros baseado nas defesas foi questionado sob diversos
prismas, e agora veremos a opinião do Analista de Desempenho Gustavo Fogaça
sobre a avaliação do desempenho de goleiros.
Gustavo Fogaça é um bom exemplo
para o significado de multitarefas... Ele é diretor de filmes, músico,
jornalista, comentarista da Rádio Gaúcha e também é Analista de Desempenho (licenciado pela CBF).
Em todas estas áreas “Guffo” possui destaque e sucesso!
Entramos em contato com Gustavo
Fogaça, solicitando uma opinião de como poderíamos realizar a análise de
goleiros, e em resposta, recebemos o texto abaixo (muito obrigado pela
colaboração Guffo !):
“Todos os índices de mesura baseado na técnica (defesas, saídas de
gols, reposição, gols sofridos, etc.) são válidos, mas mais ainda em conjunto,
e não isolados.
Mas, indo de encontro ao professor Garganta, sempre acho que para
avaliar um atleta do futebol, melhor sempre voltar às 4 dimensões do futebol:
Anímico - Goleiro fala no jogo para posicionar defesa? Goleiro
tem liderança fora e dentro de campo? Goleiro é calado? Goleiro fica inconformado quando leva gol ou é indiferente? Qual sua média de cartões amarelos e
vermelhos ? Na bola parada, goleiro mantêm o foco? Possui ‘sangue frio’ nos
pênaltis?;
Físico - Tempo de reação, resistência quando sua meta é massacrada, força no
lançamento, força nas rebatidas, movimento de pernas (passadas laterais).
Velocidade, desgaste físico, potência muscular, e inúmeros outros fatores
físicos, que para quem não está inserido dentro de um clube, fica mais difícil
de coletar essas informações;
Tático - Goleiro sabe jogar como 1 na plataforma?
(os espanhois e portugueses sempre consideram o goleiro parte da tática -
1-4-2-3-1; 1-4-3-3, etc), goleiro faz parte da transição ofensiva? Com que
qualidade ele faz isso? Veja Rogério Ceni ou Chilavert, como eram fundamentais
taticamente. Na organização defensiva, ele faz parte do sistema? Ou é apenas um
ser isolado que sai pra pegar a bola?
Técnico - Aí entram alguns dos conceitos mais
específicos da posição: clean sheets, defesas difíceis, gols sofridos, pênaltis
defendidos, rebatidas em escanteios, quantidade de passes certos, de
lançamentos certos, etc.
CONCLUSÃO - A soma do desempenho nas 4 dimensões
acredito que seja a melhor maneira de avaliar um goleiro, a posição maldita.
É o único que a regra permite colocar a mão na bola, o único que tem um
espaço só dele, o único que não pode falhar nunca. Sem dúvidas, é o ‘diferentão’
do time, o que treina sozinho, o que é saco de pancadas, o que nunca vai sentir
o gostinho de fazer um gol em uma partida. Uma peça única no esporte das
multidões.”
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